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Ministério Público apura fraude fiscal milionária no setor de água mineral

As investigações apontam para um prejuízo superior a R$ 49 milhões

Por: Redação Fonte: Ascom MPAL
15/06/2026 às 07h28 Atualizada em 15/06/2026 às 08h03
Ministério Público apura fraude fiscal milionária no setor de água mineral
Foto: Ascom MPAL

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate à Sonegação Fiscal e Lavagem de Bens (GAESF), deflagrou, na manhã desta segunda-feira (15), a Operação Watergate para desarticular uma organização criminosa suspeita de praticar sonegação fiscal, fraudes tributárias e lavagem de bens no setor de extração, engarrafamento e distribuição de água mineral.

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As investigações apontam para um prejuízo superior a R$ 49 milhões aos cofres estaduais, montante que, segundo estimativas, seria suficiente para a construção de cerca de duas mil casas populares. As empresas investigadas também receberam incentivos fiscais concedidos pelo Estado por meio do Programa de Desenvolvimento Integrado do Estado de Alagoas (Prodesin).

A operação, coordenada pelo GAESF e realizada em conjunto com a Polícia Civil de Alagoas, resultou no cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Criminal da Capital, especializada no combate ao crime organizado. As medidas judiciais tiveram como alvo seis pessoas físicas e nove pessoas jurídicas investigadas.

Também por requerimento do Ministério Público, o Judiciário determinou o bloqueio e a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e ativos financeiros dos investigados, visando assegurar eventual ressarcimento dos prejuízos causados ao erário estadual.

As investigações apontam que a empresa considerada o núcleo central do grupo econômico acumula débitos de ICMS já inscritos em Certidões de Dívida Ativa (CDAs) que somam R$ 9.477.223,91. Além disso, existe uma dívida administrativa em fase de apuração estimada em cerca de R$ 40 milhões.

Segundo o coordenador do GAESF, promotor de Justiça Cyro Blatter, o esquema seria operacionalizado por meio de nove empresas que atuariam de forma coordenada para reduzir artificialmente a carga tributária e ocultar patrimônio. A suspeita é de que produtos fossem comercializados entre empresas do mesmo grupo econômico por valores muito inferiores aos praticados no mercado, gerando impacto direto na arrecadação do ICMS devido ao Estado de Alagoas.

As apurações indicam que as operações teriam sido estruturadas para beneficiar o grupo empresarial em detrimento da arrecadação pública, causando prejuízos significativos aos cofres estaduais.

Para o MPAL, a repressão a crimes contra a ordem tributária é fundamental para a proteção do patrimônio público e para a garantia de recursos destinados à execução de políticas públicas. “Os valores que deixam de ingressar nos cofres estaduais em razão de fraudes fiscais comprometem investimentos em áreas essenciais e afetam diretamente a população, especialmente os cidadãos em situação de maior vulnerabilidade social”, declarou Cyro Blatter.

As empresas investigadas também receberam incentivos concedidos pelo Estado de Alagoas por meio do Programa de Desenvolvimento Integrado do Estado de Alagoas (Prodesin).

Diante dos indícios apurados, o Ministério Público e a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) irão aferir a regularidade da concessão e da utilização desses benefícios fiscais pelas empresas envolvidas.

Os incentivos do Prodesin têm como objetivo fomentar o desenvolvimento industrial e comercial do estado, estimulando a geração de empregos, a atração de investimentos e o aumento da arrecadação tributária. Por essa razão, a adequada utilização dos benefícios integra o conjunto de medidas analisadas pelos órgãos de controle.

A pedido do Ministério Público, a 17ª Vara Criminal da Capital determinou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados. A medida cautelar tem como objetivo assegurar a recuperação dos valores eventualmente desviados da arrecadação estadual e garantir a efetividade de futuras decisões judiciais.

A Operação Watergate contou com a participação do MPAL, por meio do GAESF, da Polícia Civil de Alagoas, da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), por intermédio das polícias Civil e Militar, além do apoio operacional do Departamento Estadual de Aviação (DEA).

O nome da operação faz referência à expressão inglesa “Watergate”, que pode ser traduzida literalmente como “Portão d’Água”, numa alusão ao ramo de atividade do grupo empresarial investigado, ligado à extração, ao engarrafamento e à distribuição de água mineral.

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