
A escola sempre esteve competindo com algo, e isso varia de acordo com a época em que se vive. Hoje, porém, ela enfrenta um desafio cada vez mais presente: a tecnologia. Quando não é utilizada como aliada, passa a ser uma concorrente direta do aprendizado. É a partir dela que surgem o uso excessivo de telas, videogames e outros estímulos constantes.
O excesso de estímulos rápidos — imagens e sons — compromete a concentração. Isso tem levado, inclusive, a diagnósticos equivocados de TDAH. Muitas vezes, não se trata de um transtorno, mas de uma mente sobrecarregada. Esse excesso também gera uma espécie de “preguiça” para atividades escolares, pois elas não oferecem o mesmo nível de estímulo imediato. Como exigem mais tempo, leitura cuidadosa e reflexão, passam a ser vistas como pouco atrativas. As crianças de hoje vivem em ritmo acelerado, buscando informações rápidas e respostas prontas.
“A mente precisa de repouso, assim como o corpo. Se é constantemente estimulada, perde a capacidade de atenção e reflexão profunda.”
Isso é facilmente observado em sala de aula. Muitas crianças afirmam não ter compreendido determinada questão sem sequer tê-la lido com atenção. Apenas passam os olhos pelo texto e acreditam que isso é suficiente para o entendimento. Quando são orientadas a reler, afirmam que já o fizeram várias vezes. Falta paciência para tentar compreender. Buscam respostas imediatas, esperando que alguém diga exatamente o que deve ser feito, sem se disporem ao esforço de pensar.
“Não se deve permitir que a mente salte de um assunto para outro, sem tempo para pensar profundamente.”
Sabemos que, infelizmente, muitos pais recorrem à tecnologia como forma de manter a criança ocupada, conseguindo assim realizar suas tarefas diárias. Porém, esse uso sem mediação traz consequências que vão além da vida acadêmica, atingindo também a formação do caráter. Em sala de aula, isso se reflete de forma clara: enquanto não há exigência, a criança permanece no ambiente, brincando e conversando. Quando chega o momento de estudar um conteúdo que não lhe agrada, surgem rapidamente pedidos para ir ao banheiro, beber água ou qualquer outro pretexto para evitar o esforço necessário.
“A busca constante por diversão enfraquece o amor pelo estudo e pelo trabalho sério.”
Trazer a criança de volta ao interesse pelos estudos não é responsabilidade exclusiva da escola nem apenas da família. É uma tarefa que exige cooperação. Por isso, os pais precisam evitar estimular excessivamente a mente das crianças, preenchendo todos os momentos com atividades e telas, sem pausas ou descanso. Da mesma forma, os professores devem reconhecer a importância de momentos de pausa e equilíbrio durante a rotina escolar.
“Pais e professores devem cooperar na formação de hábitos corretos.”
É importante lembrar que as telas não são, em si, negativas. O essencial está na forma como são utilizadas. Quando bem selecionadas — como videoaulas e ferramentas pedagógicas — podem se tornar grandes aliadas no processo de aprendizagem. O problema não é a tecnologia, mas a ausência de mediação, limites e intencionalidade em seu uso.