
“Quando fui diagnosticada com HIV, eu me senti péssima. No mesmo momento pensei que ia morrer. Mas foi em 2004 que iniciei o tratamento no Bloco I do PAM Salgadinho. É a minha segunda casa, lá sou acolhida e recebo atendimento humanizado e carinho de todos os profissionais de saúde”. Esse é o relato da funcionária pública e usuária do PAM Salgadinho há 17 anos, Rita de Cássia Alcides, que também é representante alagoana do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas (MNCP).
O Dia Mundial de Combate à Aids, comemorado nesta quarta-feira (1º), tem por função primordial alertar toda a sociedade sobre essa doença, além de fazer uma desconstrução do preconceito sobre as pessoas que vivem com HIV/Aids e a conscientização do público sobre comportamentos seguros de prevenção. Para tanto, o PAM Salgadinho – maior unidade de atendimento especializado em média complexidade de Maceió, localizado no bairro do Poço – oferta no Bloco I atendimento e tratamento de pacientes com HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Funcionando por demanda espontânea, o atendimento para este público é realizado durante todo o ano, no qual dispõe de testes rápidos para detecção de doenças como HIV, sífilis e hepatites B e C, além de oferecer medicação gratuita para o tratamento do HIV/Aids.
A enfermeira e coordenadora do Bloco I do Pam Salgadinho, Riviane Tavares, explica que a unidade dispõe de profissionais que acolhem e orientam todos que procuram o serviço.
“Os pacientes do Bloco I contam com uma equipe multidisciplinar constituída por enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, psiquiatras, médicos infectologistas, gastroenterologistas, dermatologistas e pediatras. Aqui, os usuários são acolhidos e orientados por toda essa rede profissional”, afirma.
Ela ainda destaca a importância das gestantes, também, procurarem o atendimento, pois elas podem se prevenir precocemente e evitar que a criança seja infectada com o HIV. “As gestantes também têm um lugar especial aqui no Bloco I, onde elas podem realizar o teste rápido e receber as orientações necessárias para evitar a transmissão do HIV para a criança. Quando essa gestante tem o diagnóstico e já realiza o tratamento com a medicação, na maioria das vezes há um sucesso e a criança não contrai o vírus. Por isso, é importante que essas mulheres realizem o teste como forma de diagnóstico precoce e, consequentemente, evitar o contágio do bebê”, esclarece.
De acordo com dados do boletim epidemiológico de dezembro de 2020, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, desde o início da epidemia de Aids (1980) até 31 de dezembro de 2019, foram notificados no Brasil 349.784 óbitos tendo o HIV/Aids como causa básica. Em Maceió, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), de 2014 a 2019 houve 416 mortes por Aids entre residentes da capital.
“O nosso foco é fazer um trabalho de prevenção e realizar um diagnóstico precoce, e isso melhora muito o tratamento desse paciente. O momento do diagnóstico é muito importante, pois, a partir dele, será iniciado o tratamento adequado. Fazendo esse diagnóstico precoce, o paciente é beneficiado, estando na fase do HIV. Quando é descoberto na fase Aids, ele adquire mais patologias e, por sua vez, a recuperação demora mais para acontecer”, pontua Riviane Tavares.
O preservativo, ou camisinha, é o método mais conhecido, acessível e eficaz para prevenir a infecção pelo HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis e as hepatites B e C. Além disso, ele evita uma gravidez indesejada.
“Até hoje nós não temos nenhum outro método que seja tão eficaz quanto o uso do preservativo. E nós, profissionais de saúde, estamos sempre orientando os pacientes a fazer o uso deste, em qualquer prática sexual, para evitar o contato e minimizar o risco de contrair o HIV e as demais doenças, como as hepatites virais”, alerta Yuri Toledo, médico clínico que atua na Infectologia do Bloco I.
Ainda segundo o médico, o alerta vale para dois públicos: tanto para jovens e adolescentes, quanto para a terceira idade, e esta pode ter expectativa de vida ao realizar o tratamento necessário. “Os cuidados de proteção nas relações sexuais devem ser multiplicados para estes dois grupos, que são os que mais preenchem a demanda aqui no Bloco I do Pam Salgadinho. Em relação ao público idoso e que tem alguma DST, é importante lembrar que não é o fim. Muito pelo contrário, os pacientes que mantém, regularmente, o tratamento com o uso de antirretrovirais, que faz acompanhamento médico e que tem a carga viral indetectável por um período de tempo, tem qualidade e expectativa de vida igualmente a outra pessoa, de sua faixa etária, que não é infectada pelo vírus”, completa.
Ascom SMS