
A Itaipu Binacional deve reduzir a sua tarifa de venda de energia a partir de 2022 devido à quitação da dívida da construção da usina em 2023, disse o diretor-geral brasileiro da estatal, o general João Francisco Ferreira. Apesar de o Brasil estar enfrentando atualmente uma crise hídrica, com a maior seca em 91 anos – o que deve levar a menor geração de energia pela Itaipu em 26 anos em 2021 – Ferreira explica que a empresa está conseguindo diminuir seu endividamento e mostrar maior produtividade durante a sua gestão.
O general deu a declaração em encontro com jornalistas na manhã desta terça-feira (26), no centro executivo da empresa, em Foz do Iguaçu (PR), de onde falou sobre os seis meses de sua gestão, iniciada em 7 de abril de 2021. Ele substituiu o também general Joaquim Silva e Luna, que deixou Itaipu para assumir a presidência da Petrobras.
“Em 2021, Itaipu completa um pagamento de US$ 600 milhões, de um total de US$ 2 bilhões, o que reduzirá a despesa de exploração que compõe a tarifa. Para 2022, restarão US$ 1,4 bilhão para pagar”, explicou o diretor.
Na semana passada, no entanto, ele fez a ressalva de que a redução da tarifa de energia é uma decisão binacional. “Grande parte do preço de nossa energia contém os juros e as amortizações que pagamos ano a ano aos nossos credores e, em 2022, essa dívida vai praticamente desaparecer. Então, nós vamos vender uma energia elétrica muito mais barata que a atual para a Eletrobras e a Ande, nossos clientes no Brasil e no Paraguai, respectivamente, o que vai beneficiar os consumidores brasileiros e paraguaios”, afirmou ainda o diretor-geral brasileiro.
A tarifa de venda de energia para Eletrobras e Ande atualmente está em US$ 22,6 por KWh e também inclui despesas de operação. Além da dívida, as despesas consideram os custos de produção de energia, que se mantêm após a quitação do débito.
Durante sua gestão, a Itaipu obteve o seu melhor índice histórico de produtividade (relação entre a água que passa pelas unidades geradoras e a quantidade de energia produzida), no primeiro semestre de 2021, trabalhou para o avanço significativo de uma série de obras estruturantes pagas pela empresa e vive a expectativa pela redução de sua tarifa em função da iminente liquidação da dívida contraída para a construção da usina, destacou a empresa.
ORÇAMENTO DE 2022 E INVESTIMENTOS
A direção brasileira está construindo um orçamento do próximo ano junto com o Paraguai e, por isso, ainda não é possível estimar de quanto poderá ser o corte da tarifa. Também precisa considerar os cálculos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). “Evitamos citar números porque depende de negociações”, disse.
Na próxima sexta-feira, a empresa dará continuidade à licitação para contratar um consórcio que irá implementar um plano de atualização tecnológica, que prevê a modernização de controles e automação e investimentos de mais de US$ 500 milhões até 2034. Uma primeira licitação foi realizada e teve a GE como líder do consórcio, mas o conselho teve dúvida e postergou a reunião para definir as empresas.
Fonte: Agência CMA