
Com o aumento de eventos extremos, elevação do nível do mar e erosão costeira, cidades do Nordeste como Maceió, Recife e João Pessoa enfrentam riscos crescentes de alagamentos, perdas habitacionais e crises hídricas. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), em apenas cinco anos, enchentes e marés altas afetaram mais de 200 mil pessoas na região, evidenciando a urgência de políticas e ações sustentáveis. Nesse contexto, jovens estudantes do Nordeste já começam a assumir protagonismo na busca por soluções.
Com a crescente urgência das pautas ambientais e o olhar atento da sociedade para a sustentabilidade, cada vez mais instituições de ensino têm inserido a COP30 em suas práticas pedagógicas, preparando os estudantes para refletir e agir diante dos desafios climáticos. Seguindo essa linha, o Colégio Marista vem promovendo simulados e atividades que aproximam a juventude dos debates internacionais. Um exemplo marcante ocorreu em Maceió, entre os dias 10 e 12 de setembro, quando a escola sediou o Observatório Marista do Clima, reunindo alunos de cinco cidades para discutir impactos ambientais e propor iniciativas práticas em preparação para a COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA).
O evento reuniu estudantes de Recife, Surubim (PE), João Pessoa (PB), Natal (RN) e Maceió (AL) para debates, simulações de conferências climáticas e visitas técnicas a áreas afetadas por questões ambientais. Entre os locais visitados estiveram o Bairro do Pinheiro, em grande parte desocupado devido ao afundamento do solo causado pela extração de sal-gema; o Vergel do Lago, comunidade de marisqueiras; e a Orla Ponta Verde, referência de preservação costeira da capital alagoana.
Inspirado pela encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco, o Observatório promoveu o protagonismo juvenil na criação de soluções para problemas locais e globais. Entre os temas debatidos estiveram preservação das piscinas naturais, redução de alagamentos urbanos, gestão de resíduos eletrônicos e tratamento sustentável da água em Surubim. Os melhores projetos serão levados para a Conferência Nacional do Observatório Marista do Clima, em novembro, paralela à COP30.
Iniciativas como essa refletem uma tendência crescente: escolas brasileiras assumem papel ativo na discussão climática, preparando alunos para transformar consciência em ação. O Observatório Marista do Clima mostra que educação ambiental vai muito além da sala de aula — é mobilização social, protagonismo juvenil e preparação para os desafios que a COP30 colocará no centro do debate global.