
O que você, adulto, tem mostrado em casa para a sua criança? Será que está ensinando a devolver o troco errado que ela recebeu? Incentiva a admitir um erro ou a esconder a verdade por medo de punição? Em casa, você cultiva a verdade ou a mentira?
Sim, honestidade tem tudo a ver com verdade ou mentira. E mais: tem tudo a ver com o que fazemos quando ninguém está olhando.
Muitas das minhas atitudes se baseiam nessa pergunta: o que eu faço quando estou sozinho? Porque é fácil parecer bondoso diante dos outros — difícil é manter a integridade quando não há plateia. Por isso, tento sempre cultivar valores com meus alunos, “premiando” aqueles que assumem seus erros, mesmo quando não são atitudes legais.
Outro dia, vivi uma situação em sala de aula que me fez refletir. Havia passado uma atividade de pesquisa para casa. No dia seguinte, ao corrigir, notei várias respostas muito parecidas. Até aí, tudo bem — perguntas iguais podem gerar respostas iguais, e eles poderiam ter feito juntos. Mas, ao questionar, alguns admitiram que não haviam feito em casa, e sim copiaram dos colegas na sala. Outros negaram de todas as formas.
Aproveitei o momento para contar a história de um homem que, após agir de forma desonesta, reconheceu seu erro, arrependeu-se e mudou. Expliquei que, muitas vezes, cometemos pequenas falhas que parecem inofensivas. Mas se continuarmos alimentando essas atitudes, podemos acabar normalizando erros maiores no futuro — sem remorso, sem consciência.
Por isso, precisamos ter conversas difíceis com as crianças. Plantar sementes que germinem quando elas estiverem diante de decisões importantes. Porque o que esperamos delas no futuro depende do que ensinamos hoje.
Seja uma semente boa ou má, ela vai crescer. Se queremos uma sociedade justa e honesta, é em casa que tudo começa
"A honestidade não é ensinada apenas com palavras, mas com escolhas diárias. O que você faz hoje será a memória moral de uma criança amanhã.”