
O procurador-geral de Justiça, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, recebeu, ontem (5), proprietários de empresas de água mineral em Alagoas que, acompanhados pelo presidente do Sindicato da Indústria de Engarrafamento de Água Mineral do Estado de Alagoas (Sindágua-AL), Davi Pontes, levaram denúncias sobre diversas irregularidades constatadas, do tratamento à acomodação do produto, colocando em risco a saúde do consumidor. Eles chamaram a atenção para dois tipos de água que estão sendo comercializados, um deles sem adição de sais e sem ser submetido a análise por um engenheiro químico ou de minas. Outro assunto discutido foi a confecção dos garrafões de forma reciclável, o que é proibido pela legislação.
Ao chefe do Ministério Público, Márcio Roberto, a comissão formada por empresários garante que a população alagoana tem sido enganada, comprando água sem que passe pelo processamento exigido pela vigilância sanitária.
“Há empresas coletando água e engarrafando diretamente do solo sem os cuidados necessários para garantir a saúde da população. Vendem como mineral quando não têm os equipamentos necessários exigidos pela vigilância e não colocam os sais, o custo é menor, mas há o risco. É um barato que sai caro. A água para ser vendida como mineral deve passar por um processo grande, por profissionais competentes, e recebendo o que é obrigatório. A população está sendo enganada”, afirma o presidente do Sindágua, Davi Pontes.
O empresário José Inácio, da água mineral ‘é Leve’ foi quem tomou a iniciativa para o agendamento da reunião e se mostrou bastante receoso.
“Há uma preocupação permanente no tocante ao que temos constatado e é preciso que sejam encontradas soluções. Nós, que trabalhamos corretamente, investimos na contratação de profissionais técnicos, especialistas, compramos maquinário indispensável para garantir o fornecimento de uma água de fato mineral e estamos acompanhando no mercado águas sem o menor tratamento, garrafões sem sanitização, numa concorrência injusta que não prejudica somente os empresários, mas diretamente a saúde dos consumidores”, declara Inácio.

Já Normando Monteiro, da água mineral ‘Frascalli’, ressaltou que essa preocupação é antiga, inclusive já houve coleta e envio de algumas águas sem tratamento adequado à Vigilância Sanitária Estadual com laudo de reprovação. Segundo ele, houve a comprovação de que os sais não eram adicionados.
Márcio Roberto, após ouvir os depoimentos, enfatizou que a instituição tem como principais obrigações as fiscalizações, de modo geral, sempre em defesa da coletividade.
“É nosso dever agir em qualquer área e combatendo ilícitos que afetem a comunidade. Ciente das denúncias dos senhores, convocarei os promotores de Justiça da Saúde Pública, também da Defesa do Consumidor, para que discutamos a demanda e, consequentemente, possamos acionar os órgãos competentes, estaduais e municipal, para uma reunião e tentemos chegar à solução do problema. O que não podemos é permitir que a população seja vítima de irresponsabilidades, ainda mais correndo o risco de ter a saúde afetada”, afirma o procurador-geral de Justiça.
Além dos problemas em relação ao tratamento inadequado da água, a comissão apresentou outro agravante, a acomodação em recipientes reciclados. Os empresários levaram à reunião o fabricante dos garrafões que explicou os riscos aos quais o consumidor é submetido, podendo levar a problemas de saúde graves.
Reciclagem
De acordo com Marcos Sampaio, fabricante de garrafões para empresas de Alagoas e outros estados, é proibido, por lei, a reciclagem, mas muitas empresas têm adotado esse método embora irregular.
“É preciso que a população saiba do risco que corre, muitas vezes os botijões vêm de outros estados, com ratos ou urina de ratos dentro e eles não limpam para moer e aproveitar o material para fazer outros, passam na máquina de reciclagem do jeito que chegam e quando os novos garrafões são produzidos, feitos com os antigos, as bactérias são absorvidas no plástico e, evidentemente, misturam-se na água que neles é armazenada”. O empresário afirma que o plástico absorve o material que é moído junto com ele.
Finalizando, o procurador-geral de Justiça reconheceu o setor como de importância para a sociedade e pediu que fizessem uma representação com encaminhamento ao gabinete para que seja feita a análise pela assessoria técnica e, em seguida, adotadas as primeiras providências. O chefe ministerial sugeriu, também, que as empresas fizessem campanhas educativas para alertar a população.