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Disputas entre países são ameaças, mas Mercosul continuará existindo

Disputas entre países são ameaças, mas Mercosul continuará existindo

Por: Paulo Rocha
29/09/2021 às 17h43 Atualizada em 29/09/2021 às 20h43
Disputas entre países são ameaças, mas Mercosul continuará existindo
Foto: Isac Nóbrega/PR

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As disputas internas entre os países do Mercosul são ameaças ao bloco, mas ele deve continuar existindo formalmente, mesmo com poucas chances de acordo entre Brasil e Argentina sobre a redução da Tarifa Externa Comum (TEC) e com a perspectiva de o Uruguai assinar acordos de livre-comércio de forma independente, disse o professor de Economia do Ibmec, Daniel Sousa. A declaração foi dada durante a Live CMA Mercados, transmitida hoje no YouTube e no Facebook.

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“O Mercosul vai continuar existindo”, de acordo com Sousa, acrescentando que o bloco não deve se desfazer formalmente. “Na prática, talvez”, disse o economista. “Na prática, a coisa está sendo desmontada de maneira muito significativa”. O bloco é formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, atualmente suspensa.

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O Uruguai tem demonstrado seu interesse de fazer acordos comerciais de forma independente com outros países. Ao mesmo tempo, não sinaliza intensão de sair do Mercosul, e nem o bloco sinaliza penalidades, como retirar o Uruguai por descumprir as regras. Segundo Sousa, tudo indica que o Uruguai deve assinar em breve um acordo com a China.

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“É uma claríssima violação do que é o Mercosul”, afirmou. Sousa disse que o Uruguai tem realidade diferente dos outros países do bloco, é agropecuária, pequeno, com cerca de 3 milhões de habitantes, não tem e não almeja ter indústria e quer caminho parecido com Chile e Peru, que tem acordos de livre comércio com vários países, como Reino Unido, Estados Unido e China.

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Já o Paraguai depende do Brasil e Argentina, enquanto para os dois maiores países do bloco o custo de sair é muito alto. Sousa afirmou que a indústria brasileira e Argentina são muito interligadas, com forte vendas de produtos industriais entre os dois países, o que cria um impasse.

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“Há um super custo de saída de perder acesso privilegiado ao mercado ao lado. As indústrias nacionais do Brasil e Argentina são muito articuladas politicamente, tem capacidade de pressionar o governo com força”. Para Sousa, o Mercosul “se empurra com barriga. Os países não saem e não avançam”, disse.

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“O Mercosul foi formado a 30 anos com um objetivo muito claro”, afirmou Sousa, citando um cenário de em mundo que se globalizava e era esperado que o comercio global seria a grande alavanca do crescimento dos países, o que se confirmou. A proposta do Mercosul era uma “inserção em grupo, negociar com mais força, conseguir acordos melhores”, disse.

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“De lá para á, Mercosul frustrou muitas expectativas”, disse. “Se por um lado aumentou muito o comércio intrabloco, fora do Mercosul o comércio não se ampliou. O Mercosul foi fracasso, não há como classificar de outra forma, em buscar acordos comerciais e acesso a mercados”.

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Em 30 anos, o bloco fez pouquíssimos acordos e com países pequenos, como Egito, Israel e Autoridade Palestina. Recentemente assinou um protocolo de intenções por um acordo com a União Europeia (UE), que depende da ratificação dos Parlamentos de todos os países do bloco europeu e talvez demore muito a siar do papel, disse Sousa.

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Ele destacou que o Brasil e a Argentina discordam sempre em rodadas de negociações, o que inviabilizou várias tentativas de acordo.

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TARIFA EXTERNA COMUM

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A disputa mais recente se deve a desacordos sobre a TEC, a tarifa de importação que os países do Mercosul cobram dos produtos vendidos ao bloco. Ela é de 13,4%, em média. O Brasil propôs no início do ano baixar a tarifa em 10% em 2021 e em mais 10% em 2022, mas a Argentina recusou.

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Para Sousa, as chances de um acordo são baixas. “Duvido, acho difícil, o Mercosul não se entende há 30 anos”, disse. “Isso já poderia ter sido feito em outros momentos, o Brasil e a Argentina já tiveram governos mais liberais juntos ao mesmo tempo em outros momentos e isso não foi feito, porque havia uma pressão das indústrias locais muito forte. As federações industriais do Brasil e da Argentina são muito contra a redução da tarifa externa comum”.

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“Politicamente seria embaraçoso, por mais que os governos queiram, conseguir este acordo. Possível é, mas acho improvável, dependeria de um alinhamento ideológico entre Brasil e Argentina e uma força política grande para atropelar as contrariedades das federações”, acrescentou.

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Com relação ao acordo de livre-comércio com a UE, Sousa destacou a oposição muito forte da França na Europa, falando inclusive em autonomia proteica. “O Brasil tem passivos na área ambiental, mas a França não está preocupada com isso, ela está preocupada em proteger seu produtor local”.

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Sousa reconheceu que o Brasil tem se desgastado na questão ambiental, e há países europeus sensíveis a este tema. “Brasil tem crescimento da devastação da Amazônia”, disse, acrescentando que se o país tivesse números para apresentar melhorias nesta frente, isso enfraqueceria os argumentos de grupos contrários ao acordo.

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Com informações da Agência CMA

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